29 de outubro de 2014

Negro, inchado, mas feliz!

Ninguém vive bem com o polgar partido e gesso na mão.

Limita os movimentos, impede a realização de tarefas simples.

Para mim, que toco instrumentos musicais todos os dias, que ganho a vida com as aulas e os espectáculos e que não tenho, por definição das leis laborais em que me enquadro, direito a apoio social, creio poder dizer sem correr o risco de parecer exagerado, as circunstâncias pioram substancialmente.

Mas eis que me vejo impelido a encarar este momento com o ânimo e a alegria normais, que de resto cultivo em tudo o que faço, especialmente desde que decidi prestar atenção ao que de bom acontece.

Pensando nisto, encontrei uma estória que vale a pena contar, porque há razões efectivas para que esta circunstância temporária seja uma experiência positiva. E nem há necessidade de "fabricar" razões, porque basta senti-las:
  1. Sentir dor e mau estar revela que esta existência apenas se permite através de um corpo físico, vivo, com sentidos e que, mesmo quando está bem, tenho o dever de cuidar e tratar.
  2. Ter dificuldade na realização de tarefas, permite-me valorizar as coisas que já sei fazer, das mais simples às mais complexas, em vez de ficar preso ao queixume fácil pelas inabilidades e frustrações temporárias.
  3. Falhar compromissos e objectivos por uma razão avessa à minha vontade, significa aceitar que sou parte de um todo onde há elementos que não posso controlar.
Este exercício mental leva o coração a manifestar-se e a trás consigo uma felicidade surpreendente. E a felicidade é o antídoto para qualquer sofrimento.

Uma incapacidade temporária deve servir para o crescimento, para eliminar inseguranças e cultivar sentimentos fundamentais como a compaixão e a importância dos outros, especialmente daqueles que nos são próximos.

Concluo que estou a assimilar mais uma lição de vida. O tempo de convalescença já produz os seus efeitos para um propósito maior. E estou grato por isso!